PARCEIROS APOIADORES

Ipea avalia efeitos da regulação do mercado de cannabis no Uruguai

13/11/2016

Em parceria com duas instituições brasileiras, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça (Senad) e a Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), e duas uruguaias – a Junta Nacional de Drogas (JND) e a Universidade da República Oriental do Uruguai (Udelar) –, o Ipea realizou o monitoramento dos impactos da nova política de regulação do mercado de cannabis do Uruguai sobre a zona de fronteira entre os dois países.
Em 2016, o Ipea conduziu dois levantamentos: uma pesquisa quantitativa domiciliar realizada com uma amostra representativa da população de municípios do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e uma pesquisa qualitativa realizada com os representantes dos sistemas de justiça e de segurança pública. Simultaneamente, a UFPEL conduziu uma pesquisa qualitativa com usuários de drogas e profissionais de saúde.
Foram apresentados à comunidade local recentemente, na Associação Comercial e Industrial de Sant'Ana do Livramento (RS), os resultados da primeira rodada do projeto. A divulgação foi feita por Alexandre dos Santos Cunha, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, e Olívia Alves Gomes Pessoa, pesquisadora de campo do Instituto, durante o Seminário Internacional de Monitoramento e Avaliação da Nova Política Uruguaia de Regulação do Mercado de Cannabis sobre a Zona de Fronteira.

 

Práticas de consumo de drogas


Com relação às práticas de consumo de drogas, a partir da entrevista de 97 usuários, foi possível identificar que o início do uso se dá entre 7 e 14 anos pela utilização do álcool, dentro do ambiente familiar e muitas vezes por meio de familiares. A experimentação da cannabis se dá de dois a cinco anos depois do início de uso de outras substâncias.
Nas cidades estudadas no Brasil, foram identificados 48 pontos de consumo de substâncias e observados 667 usuários de cannabis, sendo sua maioria aparentemente de jovens entre 15 a 25 anos (84,1%), do sexo masculino (91,7%) e de cor branca (65,8%). O uso é predominante no turno da noite (64,2%), sendo 91,4% o uso do tipo compartilhado. No momento do uso, observou-se que 21,2% também faziam uso de álcool e 27,8% de tabaco.
Com relação à disponibilidade da cannabis, os entrevistados apontaram que, nos últimos dois anos, houve diminuição de circulação da substância, causando aumento de preços. Eles disseram que compram preferencialmente de terceiros para evitar o contato com o tráfico, por medo de abordagens policiais. E pontuam que há diferenças entre a cannabis comercializada no Brasil e a utilizada no Uruguai, sendo esta de melhor qualidade. Contudo, têm clareza acerca da impossibilidade de compra no Uruguai e somente fazem uso da cannabis uruguaia quando compartilham ou recebem de alguém. Inclusive apontaram que os uruguaios não cadastrados para a compra de cannabis no Uruguai compram a cannabis no Brasil.
Quanto às características dos pontos de uso, 32,2% dos lugares possuíam boa manutenção e 40% boas condições de limpeza, sendo principalmente praças e parques (69,9%), com bancos (74,2%) e monumentos (53,3%). A ocorrência de prostituição (3,3%) e tráfico (6,6%), assim como de policiamento (9,3%), mostrou-se baixa.

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Jorge Flores Paines 
Jornalista DRT-15097

Radialista DRT-5765

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