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Uso de defensivo agrícola pode ser responsável pela morte de abelhas no RS

A morte de abelhas está preocupando os produtores do inseto no Rio Grande do Sul. Nos últimos dois meses mais de duas mil caixas já foram perdidas no estado. Apenas na cidade de São Gabriel, na Região Central, 500 colmeias morreram.

Também foram encontradas colmeias mortas em Sant'Ana do Livramento, São Francisco de Assis, Santiago, Ijuí e Tenente Portela.

Na propriedade de Luis Sedir Fagundes, sobraram apenas vinte das setenta colmeias produzidas. A rapidez da destruição impressionou o apicultor. "Foi rápido. Dentro de três dias os apiários se terminaram", lamenta. O apicultor Roberto Silva também sofreu com a perda na sua produção. "Cheguei e tinha muita abelha morta, outras agonizando", lembra Roberto. O produtor encontrou cinquenta colmeias mortas em sua propriedade. Cada uma poderia render oitenta quilos de mel por ano. A suspeita é de que a morte dos insetos tenha sido causada pelo uso de inseticida. O produto foi aplicado em uma lavoura de soja que fica próxima aos apiários de Luis e Roberto. A Polícia Civil aguarda os laudos que vão identificar que tipo de produto químico provocou a morte das abelhas.

Os três proprietários da lavoura do grão foram identificados e alegam que a aplicação do defensivo agrícola tenha sido feita com orientação técnica, mas ainda não apresentaram documentos que comprovem o uso correto. De acordo com o zootecnista e professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Sílvio Lengler, cada colmeia perdida gera um prejuízo financeiro de R$ 810 aos apicultores. "Temos algumas espécies de abelha que já estão beirando a extinção graças ao uso indiscriminado de agrotóxicos", explica Sílvio. Além dos prejuízos financeiros, o dano ambiental incalculável causado pela morte e possível extinção das abelhas pode ser considerado uma catástrofe.

Estudos mostram que o agrotóxico afeta a reprodução e diminui a população do inseto. Uma abelha que teve contato direto com o veneno ou a água contaminada pode acabar envenenando outras setecentas dentro da colmeia, por isso a rapidez observada pelos apicultores.

Para auxiliar na descoberta da causa das mortes das abelhas, que tem sido cada vez mais comum, o Rio Grande do Sul determinou que as inspetorias veterinárias coletem os insetos mortos e o mel para exames. "A coleta é oficial. O material foi encaminhado para um laboratório oficial e esse laudo vai atestar a causa da morte", esclarece a veterinária responsável pela inspetoria de São Gabriel, Brunele Weber. Com base nos laudos, a Federeção dos Apicultores do Rio Grande do Sul (Fargs) pretende buscar na justiça o ressarcimento do prejuízo para os produtores. "Processar os agricultores que aplicaram incorretamente, quem vendeu o produto sem orientação e ainda o fabricante que é responsável por orientar os profissionais pra aplicar o inseticida", orienta Aldo Machado dos Santos, vice-presidente da Fargs. A indústria, por outro lado, garante que os inseticidas são seguros desde que aplicados conforme orientação técnica.

Fonte: www.g1.globo.com

Jorge Flores Paines 
Jornalista DRT-15097

Radialista DRT-5765

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